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Cérebro: segredos da mente

Novas tecnologias estão perto de esclarecer um dos maiores mistérios da biologia: o funcionamento efetivo do nosso cérebro

NG - Um engenheiro veste um capacete com sensores no Centro Martinos de Imageamento Biomédico

Um engenheiro veste um capacete com sensores no Centro Martinos de Imageamento Biomédico, na cidade americana de Boston, parte de um equipamento de ressonância magnética do cérebro que consome quase tanta energia quanto um submarino nuclear. As antenas captam os sinais emitidos quando o campo magnético do aparelho excita as moléculas de água no cérebro. Computadores convertem esses dados em mapas do órgão.

Van Wedeen afaga a barba grisalha e se debruça sobre a tela do computador, examinando uma cascata de arquivos. Estamos sentados em uma biblioteca sem janelas, rodeados por caixas lotadas de correspondência antiga, edições amassadas de publicações científicas e um velho projetor de slides, que ninguém teve coragem de jogar fora. “Espere um pouco. Vou levar um instante para achar o seu cérebro”, diz ele.

NG - As regiões do cérebro estão interligadas por 160 mil quilômetros de fibras, denominadas “substância branca”

AS CORES DO PENSAMENTO: As regiões do cérebro estão interligadas por 160 mil quilômetros de fibras, denominadas “substância branca” – o suficiente para dar quatro vezes a volta ao mundo. Imagens como esta mostram pela primeira vez os caminhos específicos que servem de base para as funções cognitivas. Os feixes rosa e amarelo transmitem sinais para a linguagem

No disco rígido de Wedeen estão armazenados centenas de cérebros, sob a forma de imagens tridimensionais detalhadas feitas com macacos, ratos e seres humanos. Wedeen se prontificou a me conduzir em uma viagem pela minha própria cabeça. “Vamos visitar todos os pontos turísticos”, promete com um sorriso.

NG - Na virada dos séculos 17 para o 18, os cientistas só conseguiam distinguir as áreas visíveis a olho nu

ANATOMIA DE UM MISTÉRIO: Na virada dos séculos 17 para o 18, os cientistas só conseguiam distinguir as áreas visíveis a olho nu. Agora, graças a tecnologias inovadoras, podem investigar a estrutura profunda do órgão. Uma perspectiva em alta resolução da imagem das duas páginas anteriores revela as fibras da substância branca dispostas de forma enigmática em uma estrutura reticular

Essa é a minha segunda visita ao Centro Martinos de Imageamento Biomédico, em Boston. Na primeira vez, poucas semanas atrás, em uma sala de escaneamento, eu me deitei em uma plataforma, com a parte de trás da cabeça apoiada em uma caixa de plástico aberta. Um radiologista baixou um capacete branco de plástico sobre o meu rosto. Eu o fitei através de dois orifícios enquanto fixava bem o capacete com parafusos, de tal modo que as 96 antenas em miniatura ali instaladas ficassem perto o bastante do meu cérebro para captar as ondas de rádio que iria emitir. À medida que a plataforma deslizava para dentro da abertura cilíndrica do equipamento de ressonância magnética, o que me veio à lembrança foi o filme O Homem da Máscara de Ferro.

NG - Quando formamos uma memória, “há uma mudança física no cérebro”, diz Don Arnold

A MEMÓRIA BRILHA: Quando formamos uma memória, “há uma mudança física no cérebro”, diz Don Arnold. Os pontos vermelhos e verdes nos ramos que se projetam deste neurônio de rato mostram onde ele se conecta a outros neurônios. À medida que o rato forma as memórias, novos pontos surgem e outros desaparecem

Os magnetos ao redor passaram a roncar e apitar. Durante uma hora, permaneci imóvel, de olhos fechados, tentando me acalmar e pensar em outras coisas. Não foi fácil. Para obter o máximo de resolução possível do aparelho, Wedeen e seus colegas projetaram o equipamento com espaço suficiente apenas para acomodar uma pessoa do meu tamanho. Para manter o pânico sob controle, passei a respirar com lentidão e me transportei para locais da minha memória. Acabei me lembrando de como uma vez eu havia levado a minha filha de 9 anos à escola em meio a montes de neve após uma tempestade.

NG - Duzentas fatias de um pedaço de cérebro de camundongo

PROSPECÇÃO NOS DETALHES: Duzentas fatias de um pedaço de cérebro de camundongo, cada qual mil vezes mais fina que um cabelo humano, são preparadas para a geração de imagens por meio de um microscópio eletrônico. Empilhadas, 10 mil dessas fotomicrografias formam um modelo tridimensional do tamanho de um grão de sal (na pinça)

Enquanto estava deitado, refleti sobre o fato de que todos esses pensamentos e emoções eram uma criação do pedaço de carne que pesava apenas 1,4 quilo, o objeto daquele estudo: o cérebro. Dele vinham o meu medo, transmitido por impulsos elétricos que convergiam para uma estrutura de tecido cerebral em forma de amêndoa, conhecida como amígdala, e também a reação tranquilizadora originada nas regiões do córtex frontal. A lembrança da caminhada com a minha filha era coordenada por uma dobra de neurônios em forma de cavalo-marinho, o hipocampo, que por sua vez reativou uma vasta rede de associações, as quais haviam sido originalmente ativadas quando tive de enfrentar aqueles montes de neve. Assim forma-se a memória.

Empilhadas, 10 mil dessas fotomicrografias formam um modelo tridimensional do tamanho de um grão de sal. Para ser visualizado nesse nível de detalhe, um cérebro humano iria requerer uma quantidade de dados equivalente a todo o material escrito em todas as bibliotecas do planeta

Por: National Geographic Brasil

Rogerio Ramos
Sobre

Vice Presidente da AIERJ (Associação de Imprensa do Estado do Rio de Janeiro). Jornalista, Produtor de TV, Editor e Diretor da Fator 3 Comunicação. Especialista em Marketing Político, onde se tornou conhecido por participar de várias campanhas eleitorais vitoriosas onde atua no mercado há 17 anos. Também escreve matérias para alguns jornais do Rio de Janeiro e para o portal de noticias www.fatosnoticiasonline.com.br comentando sobre diversos assuntos. Contato: +55 (21) 96439-0928 Email: rogerio@fator3comunicacao.com.br

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